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Valve in valve Mitral: da prática ao randomizado - o Marco Brasileiro do Surviv

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O webinar da SBHCI, realizado em 27 de abril de 2026, apresentou o estudo SurViv, o primeiro ensaio clínico randomizado no mundo a comparar a técnica transcateter (Valve-in-Valve - ViV) com a cirurgia convencional para o tratamento de disfunção de bioprótese mitral

Na aula de abertura, o Dr. Henrique Ribeiro contextualizou que as biopróteses mitrais costumam degenerar entre 10 e 15 anos após o implante, e que reoperações consecutivas elevam drasticamente o risco, alcançando uma mortalidade hospitalar de até 40% em uma quarta reintervenção. Ele detalhou a evolução histórica da técnica ViV, destacando a migração do acesso transapical (associado a maior injúria miocárdica e mortalidade aguda) para o acesso transseptal, hoje consagrado como a via de escolha. O Dr. Henrique ressaltou que o planejamento pré-procedimento por tomografia computadorizada é obrigatório para prever complicações fatais como o mismatch e a obstrução da via de saída do ventrículo esquerdo (LVOT). Áreas estimadas de "Neo-LVOT" menores que 170–200 mm² exigem técnicas modificadoras, como a alcoolização septal, modificação de folheto ou a fratura seletiva (cracking) do anel cirúrgico para otimizar os resultados hemodinâmicos

Na sequência, o Dr. Dimytri Siqueira detalhou o estudo SurViv, idealizado em 2019 diante das extensas filas de espera do SUS para cirurgias valvares. Conduzido de forma independente em sete centros brasileiros, o estudo randomizou 150 pacientes (75 por braço) para o implante de próteses balão-expansíveis (SAPIEN 3) versus a cirurgia tradicional de retroca. Diferente de registros internacionais com médias etárias superiores a 70 anos, a população do SurViv era sensivelmente mais jovem (média de 58 anos), com alta prevalência de doença reumática, 1/4 dos pacientes com mais de uma cirurgia prévia e 70% acometidos por hipertensão pulmonar moderada a grave. Ao final de um ano, o braço ViV comprovou ampla superioridade em segurança, reduzindo o desfecho composto de óbito ou AVC com sequela de 20,8% no grupo cirúrgico para 5,3% no grupo transcateter. O ViV também reduziu significativamente o tempo de internação hospitalar para uma média de 4 dias (contra 14 dias no grupo cirúrgico) e evitou totalmente casos de obstrução da LVOT devido à rigorosa triagem anatômica prévia. Embora o tratamento cirúrgico tenha proporcionado parâmetros ecocardiográficos de área valvar e gradiente residual levemente superiores, ambas as intervenções resultaram em marcante melhora da qualidade de vida e da classe funcional dos pacientes. No entanto, as análises de segurança revelaram que o grupo transcateter apresentou taxas mais altas de rehospitalização de causa cardiovascular (16% contra 2,8% na cirurgia), impulsionadas por quatro casos de trombose de prótese (dois deles detectados de forma assintomática por tomografia computadorizada, configurando HALT), os quais foram completamente resolvidos após ajuste e intensificação da terapia anticoagulante (Marevan e aspirina).

Nas discussões técnicas do painel de especialistas, os debatedores enfatizaram a importância de realizar pós-dilatação de rotina com balões não complacentes para garantir a máxima expansão valvar, minimizar o risco de trombose e garantir a durabilidade a longo prazo — que continuará sendo monitorada por até 10 anos.

Encerrando o webinar, o presidente da SBHCI, Dr. José Airton de Arruda, anunciou a criação do Catlab Flix, uma plataforma inovadora de educação continuada para associados que utilizará inteligência artificial para gerar resumos automáticos, podcasts, slides e mapas mentais diretamente a partir das sessões científicas transmitidas
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