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Webinar Jovem SBHCI - 23/03/2026
Este webinar da SBHCI apresenta iniciativas voltadas ao jovem cardiologista intervencionista, destacando benefícios associativos e a criação do Núcleo de Excelência em Simulação (Nexim).
A sessão foca no procedimento de Valve-in-Valve aórtico, detalhando a importância da tomografia computadorizada na identificação de riscos de obstrução coronariana. Especialistas discutem técnicas avançadas de modificação de folhetos, como a Basílica e a Unicórnio, para mitigar complicações fatais durante o implante.
O conteúdo reforça a necessidade de um planejamento anatômico minucioso e o uso de novas tecnologias para aumentar a segurança do paciente. Por fim, os palestrantes ressaltam o papel da educação continuada e da simulação na formação da próxima geração de médicos brasileiros.
SBHCI Jovem — Inovações e Estratégias em Intervenção Estrutural
Sumário Executivo
Este documento sintetiza as discussões e diretrizes apresentadas no webinar da SBHCI voltado ao jovem cardiologista intervencionista. O evento destaca a transição geracional na cardiologia intervencionista brasileira, com ênfase na institucionalização de benefícios para jovens profissionais e na criação do NEXSIM (Núcleo de Excelência em Simulação). Tecnicamente, o briefing foca no tratamento de biopróteses degeneradas via Valve-in-Valve (ViV), identificando a obstrução coronariana como uma complicação rara, porém fatal. A análise ressalta a importância da angiotomografia no planejamento pré-procedimento e detalha técnicas avançadas de modificação de folhetos, como BASILICA e UNICORN, para mitigar riscos anatômicos.
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1. Iniciativas Institucionais e Carreira
A SBHCI estabeleceu um plano estratégico para integrar e preparar o jovem intervencionista (até 5 anos após a residência) para assumir postos de liderança na vida societária.
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Benefícios Diretos: Redução de 70% na anuidade para jovens profissionais.
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Capacitação e Suporte: Criação do NEXSIM, coordenado pelo Dr. Dinaldo Cavalcante de Oliveira. O núcleo visa inserir a simulação nos trâmites oficiais de formação, abrangendo áreas estruturais, coronárias e de imagem.
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Eventos: Destaque para o TCT Plus Latan Valves (março de 2024/2026), focado em casos clínicos e modelos de simulação ao vivo de técnicas complexas.
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2. Análise Técnica: Valve-in-Valve (ViV) Aórtico
O procedimento de implante transcateter dentro de uma bioprótese cirúrgica degenerada é uma opção para pacientes de alto risco cirúrgico, mas apresenta desafios anatômicos específicos.
Preditores de Risco e Anatomia
A obstrução coronariana ocorre quando os folhetos da prótese antiga são empurrados, formando um "tubo" ou cortina que bloqueia o óstio coronariano.
VTC (Valve-to-Coronary)
Distância entre a prótese virtual planejada e a coronária.
< 4 mm (Alto Risco); > 6 mm (Baixo Risco).
Características da Prótese
Folhetos montados por fora dos postes/stents.
Maior risco em biopróteses bovinas e com stents externos.
Junção Sinotubular
Diâmetro e altura em relação à coronária.
< 2,5 mm (Risco elevado); > 3,5 mm (Baixo risco).
Classificação VIVID
Define a relação da prótese biológica com a anatomia nativa:
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Tipo 1: Prótese abaixo da origem da coronária e da junção sinotubular (Baixo Risco).
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Tipo 2: Prótese abaixo da junção sinotubular, mas acima ou no nível da coronária.
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Tipo 3: Prótese estende-se acima da coronária e da junção sinotubular.
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3. Estratégias de Modificação de Folhetos
Quando o planejamento por imagem (angiotomografia) indica alto risco de obstrução, técnicas de modificação de folheto são empregadas para criar uma "janela" de fluxo sanguíneo.
Técnica BASILICA
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Mecanismo: Laceração longitudinal intencional do folheto usando um guia eletrificado.
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Vantagens: Alta taxa de sucesso e previsibilidade (corte em "V").
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Desafios: Elevada complexidade técnica e risco de AVC (próximo a 10% em alguns registros).
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Requisito: Necessita de alinhamento comissural da prótese original.
Técnica UNICORN
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Mecanismo: Punção do folheto seguida de dilatação sequencial com balões para permitir o implante da prótese através do folheto.
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Vantagens: Considerada tecnicamente mais simples que a BASILICA por alguns operadores.
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Desafios: Menos previsível; o padrão de laceração pode ser errático, mantendo risco de obstrução residual.
Inovações Futuras: Shortcut
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Dispositivo dedicado à laceração de folhetos que visa padronizar o procedimento e reduzir a curva de aprendizado (ainda não disponível no Brasil).
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4. Considerações Clínicas e Debates
A discussão entre os especialistas trouxe pontos críticos sobre a prática do ViV:
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Minimalismo em Xeque: Ao contrário da TAVI em valva nativa, procedimentos de ViV com risco de obstrução demandam suporte completo: anestesia geral, ecocardiograma transesofágico (ETE) para guiar a punção do folheto e uso de marca-passo.
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Obstrução Tardia: Cerca de 10% das obstruções coronarianas no ViV não ocorrem no momento do implante, mas horas ou dias depois.
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Proteção Cerebral: Devido ao manuseio de folhetos calcificados ou trombosados, o uso de dispositivos de proteção cerebral ganha relevância no ViV, apesar de evidências inconclusivas em casos de valva nativa.
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Fratura de Prótese: Em casos de anéis pequenos, a fratura da prótese original com balões de alta pressão pode ser necessária para reduzir gradientes, mas isso altera o VTC e aumenta o risco de obstrução, exigindo medidas protetivas agressivas.
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5. Citações Relevantes
"A ideia é que vocês jovens se insiram dentro da SBHCI e se preparem... para que façam essa transição e assumam os nossos postos num futuro muito próximo."
— Dr. Airton
"A angiotomografia é o pilar fundamental pra gente prever e prevenir a obstrução coronária... quem vai fechar o óstio da coronária vai ser o folheto da válvula antiga."
— Dr. Alberto Chevoni
"Não se deve tocar no paciente antes de estar proficiente na simulação."
— Dr. Dinaldo Cavalcante de Oliveira
"BASILICA é absolutamente previsível na maioria dos casos... o unicórnio provoca uma ruptura do folheto completamente errática."
— Dr. Rogério Sarmento

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