Cursos SBHCI
Curso para Intervencionistas em Formação 2026
Módulo 3
AULA 1 - Lesões de Bifurcação: Definições, Técnicas e Evidências
Palestrante: Pedro Henrique Magalhães Craveiro de Melo (SP)
AULA 2 - Lesões Calcificadas: Impacto Clínico e Métodos de Modificação de Placa
Palestrante: Pedro Felipe Gomes Nicz (PR)
AULA 3 - Oclusão Total Crônica: Definição, Principais Técnicas e Algoritmo Híbrido
Palestrante: Alexandre Schaan de Quadros (RS)
AULA 4 - ICP em Enxertos (Safena/Mamária): Particularidades e Evidências
Palestrante: Daniel Peralta e Silva (RJ)
SIMPÓSIO SATÉLITE TERUMO ‐ ICP Complexa na Prática Moderna: do Planejamento à Escolha da Plataforma e Otimização dos Resultados
Palestrante: Louis Nakayama Ohe (SP)
Fisiologia no Laboratório de Hemodinâmica: Métodos, Indicações e Evidências
Palestrante: Felipe Souza Maia da Silva (RJ)
Imagem Intracoronária: USIC e OCT – Das Técnicas às Diretrizes
Palestrante: José de Ribamar Costa Junior (MA)
Resumos e conteúdos de IA
Relatório do Módulo
Sumário Executivo
O aumento da expectativa de vida e a expansão dos procedimentos de revascularização em pacientes idosos elevaram significativamente a complexidade das intervenções coronárias percutâneas (ICP). Este documento sintetiza as diretrizes mais recentes para o tratamento de estenoses gravemente calcificadas e as particularidades das intervenções em pacientes com histórico de cirurgia de revascularização miocárdica (CRM).
Os pontos centrais incluem a necessidade imperativa de diagnóstico preciso via imagem intravascular (IVUS ou OCT), uma vez que a angiografia convencional subestima consistentemente a carga de cálcio. A seleção de ferramentas — como aterectomia rotacional ou orbital, litotripsia intravascular (IVL) e balões especializados — deve ser ditada pela morfologia do cálcio. Em paralelo, novos dados sugerem uma mudança de paradigma no tratamento de pacientes pós-cirúrgicos, onde a intervenção direta em enxertos de veia safena pode apresentar resultados superiores à intervenção em vasos nativos complexos em cenários específicos.
Análise de Estenoses Coronárias Gravemente Calcificadas
A calcificação coronária é um processo complexo envolvendo apoptose de macrófagos e diferenciação de células musculares lisas em fenótipo osteoblástico. Sua presença reduz a complacência vascular e impõe desafios técnicos severos, como dificuldade na entrega de dispositivos e expansão incompleta de stents.
Avaliação por Imagem
Angiografia Coronária Invasiva (ICA): Embora seja o padrão inicial, a ICA tem baixa sensibilidade e reprodutibilidade para detectar cálcio. A gravidade é classificada como moderada (densidades radiopacas visíveis apenas em movimento) ou grave (visíveis sem contraste e em ambos os lados da parede arterial).
Angiotomografia Computadorizada Coronária (CCTA): Método não invasivo eficaz para mapear a distribuição global do cálcio. Um escore de cálcio por lesão ≥453 é preditor de lesões indilatáveis.
Ultrassom Intravascular (IVUS): Detecta o cálcio como uma área de alta ecogenicidade com sombra acústica. Permite quantificar o arco circunferencial e o comprimento, mas não a espessura.
Tomografia de Coerência Óptica (OCT): Oferece maior resolução e, por ser luz infravermelha, penetra no cálcio, permitindo a medição precisa da espessura, área e volume tridimensional, exceto em placas extremamente espessas.
Ferramentas de Modificação de Placa
Balões de Corte (Cutting) e Pontuação (Scoring): Utilizam micro lâminas ou elementos de pontuação para criar fraturas na placa com pressões de insuflação menores.
Balões de Super Alta Pressão (SHP): Capazes de atingir até 35-50 atm, são úteis em lesões concêntricas cruzáveis, mas sua rigidez pode limitar a entrega.
Aterectomia Rotacional (RA): Utiliza uma ogiva com diamantes em alta rotação (135.000 a 180.000 rpm) para ablação diferencial de tecido inelástico. É a ferramenta de escolha para lesões não cruzáveis por balão ou microcateter.
Aterectomia Orbital (OA): Atua de forma bidirecional e utiliza força centrífuga para aumentar o diâmetro da órbita da coroa, sendo eficaz em vasos maiores e reduzindo limitações de viés do fio guia.
Litotripsia Intravascular (IVL): Utiliza ondas de choque acústicas para fraturar o cálcio intimal e medial de forma circunferencial e transmural, preservando os tecidos moles. É indicada especialmente para cálcio profundo e nódulos calcificados.
Intervenções em Enxertos e Pacientes Pós-Revascularização Cirúrgica
A revascularização secundária é inerentemente mais desafiadora devido à aterosclerose mais agressiva, lesões difusas e múltiplas comorbidades dos pacientes.
Fases da Falência de Enxertos Venosos
Fase Aguda (até 30 dias): Predomínio de trombose, muitas vezes relacionada a questões peroperatórias. O tratamento de escolha preferencial é o vaso nativo para evitar risco de perfuração de suturas recentes.
Médio Prazo (30 dias a 1 ano): Predomínio de hiperplasia intimal.
Fase Tardia (após 1 ano): Marcada pela degeneração do conduto e aterosclerose acelerada. Estima-se que 68% dos enxertos de veia safena estejam ocluídos após 10 anos.
Particularidades Técnicas por Tipo de Enxerto
Artéria Mamária: Raramente desenvolve aterosclerose. Exige projeções craniais para imagem e o uso de extensores de cateter para evitar lesão ostial.
Enxerto de Veia Safena (SVG): Apresenta alto risco de embolização distal, slow-flow e no-reflow. Recomenda-se evitar a pré-dilatação, optando pelo implante de stent direto para aprisionar os debris contra a parede do vaso. O uso de dispositivos de proteção distal é indicado em casos selecionados de alta complexidade.
O Estudo Proctor e a Mudança de Estratégia
Tradicionalmente, as diretrizes (Classe 2A, Nível B) recomendam tratar o vaso nativo em vez do enxerto. No entanto, o estudo Proctor Trial introduziu novas evidências:
O estudo comparou a ICP no vaso nativo versus no enxerto de safena.
A ICP no vaso nativo resultou em procedimentos mais longos, maior uso de contraste, maior número de stents e maior tempo de fluoroscopia devido à alta prevalência de oclusões crônicas e calcificação severa.
Resultados de MACE: Em 360 dias, a taxa de eventos adversos maiores (MACE) foi significativamente menor no grupo que tratou o enxerto (18%) comparado ao vaso nativo (34%).
Conclusão: Tratar o enxerto pode ser mais vantajoso em cenários onde a anatomia do vaso nativo é proibitivamente complexa.
Melhores Práticas e Recomendações de Consenso
Acesso Vascular: O acesso radial é fortemente recomendado para reduzir complicações hemorrágicas, especialmente em pacientes idosos com alto risco de sangramento.
Preparação de Lesão: Nunca realizar o stenting direto em lesões moderada ou gravemente calcificadas. A falha na dilatação de um balão (efeito "dog-boning") deve disparar imediatamente o uso de técnicas avançadas (ateretomia ou IVL).
Uso de Imagem Intravascular: Crucial para avaliar a carga de cálcio antes do stent e garantir a expansão e aposição adequadas após o implante. A incapacidade de cruzar com um cateter de imagem é, por si só, um indicativo da necessidade de aterectomia.
Otimização do Stent: Utilizar sistemas de realce angiográfico (stent boost) e balões de alta pressão para garantir que o lúmen final seja otimizado, minimizando o risco de trombose e reestenose.
Manejo Farmacológico: A dupla antiagregação plaquetária (DAPT) obrigatória e o pré-tratamento adequado são essenciais para reduzir eventos trombóticos periprocedimento.
Vídeo de análise do módulo com IA
Resumos em Áudio







