Cursos SBHCI
Curso para Intervencionistas em Formação 2026
AULA 1 - O papel da revascularização percutânea na doença coronária estável ‐ da lesão uniarterial ao tronco da coronária esquerda
Professor: Stefano Garzon (SP)
AULA 2 - Estado da arte no manejo da SCA sem supra ST ‐ o que dizem os últimos guidelines
Professor: Antônio Fernando Diniz Freire (SP)
AULA 3 - Estado da arte no manejo do IAM com supra de ST – o que dizem os últimos guidelines
Professor: Felipe Mateus Teixeira Bezerra (SP)
AULA 4 - Revascularização completa vs culpada: evidências atuais
Professor: Micheli Zano Galon (SP)
SIMPÓSIO SATÉLITE MERIL ‐ Evolução dos stents e metodologia de imagens
Professores: Louis Nakayama Ohe (SP) e Daniel Bandeira (SP)
AULA 7 - Novas tecnologias
Professor: Louis Nakayama Ohe (SP) José Henrique Delamain (SP)
SIMPÓSIO SATÉLITE MERIL ‐ Evolução dos stents e metodologia de imagens
Professores: Louis Nakayama Ohe (SP) e Daniel Bandeira (SP)
AULA 8 - Choque cardiogênico no IAM: diagnóstico e dispositivos de assistência
Professor: Rodrigo Wainstein (RS)
AULA 9 -Complicações da Angioplastia Coronariana
Professor: Gabriel Dodo Buchler
Resumos e conteúdos de IA
Relatório do Módulo
Sumário Executivo
A cardiologia intervencionista atravessa um período de refinamento tecnológico focado na redução de eventos adversos e na melhoria da navegabilidade dos dispositivos. Os principais destaques incluem:
Evolução para Hastes Ultra-finas: A transição de hastes grossas (>100µm) para ultra-finas (<70µm), como as de 65µm do BioMime Aura, resultou em menor trauma vascular, resposta inflamatória reduzida e menor risco de reestenose e trombose.
Plataforma BioMime Aura: Demonstra superioridade em navegabilidade e sistema de entrega em comparação com versões anteriores, apresentando resultados de não-inferioridade clínica em relação a stents de referência no mercado (como o Xience).
Manejo da SCASSST: A estratificação de risco através do Grace Score e TIMI Risk é fundamental para determinar o tempo da intervenção. Pacientes de alto risco (Grace >140) obtêm benefício máximo com a estratégia invasiva precoce (dentro de 24 horas).
Individualização no Idoso: O estudo Senior-Rita indica que a decisão por estratégia invasiva em pacientes idosos e frágeis deve ser individualizada, uma vez que os benefícios em desfechos duros podem ser diluídos por comorbidades e expectativa de vida.
1. Evolução Tecnológica e Propriedades dos Stents
O desenvolvimento dos stents metálicos busca alcançar um equilíbrio entre eficácia antiproliferativa e segurança clínica.
Características do Stent Ideal
O material de suporte e o design do stent são cruciais para o sucesso do procedimento. Os critérios para um stent metálico ideal incluem:
-
Alta eficácia antiproliferativa e rápida endotelização para mitigar o risco de trombose.
-
Elevada força radial mantendo a flexibilidade e navegabilidade para atravessar anatomias tortuosas.
-
Alta visibilidade radiológica, permitindo posicionamento preciso mesmo em pacientes com maior massa corporal.
-
Compatibilidade anatômica e baixo perfil de cruzamento.
Impacto da Espessura das Hastes
A redução da espessura das hastes (struts) é um dos avanços mais significativos da 2ª geração:
Hastes Finas (ex: Cobalto-Cromo ou Platina-Cromo): Reduzem o trauma à parede vascular e a inflamação crônica local.
Dinâmica de Fluxo: Hastes mais grossas geram fluxo turbulento e maior agregação plaquetária. Hastes ultra-finas promovem um fluxo mais laminar, acelerando a recuperação endotelial.
Evidência (ISAR STEREO): O estudo demonstrou que hastes de 50µm apresentam taxas de reestenose angiográfica e clínica significativamente menores em comparação com hastes de 100µm.
2. Plataforma BioMime Aura: Análise de Caso e Performance
A plataforma BioMime Aura representa a evolução dos stents de Sirolimus com polímero biodegradável.
Especificações Técnicas
Material: Cobalto-Cromo com hastes ultra-finas de 65µm.
Fármaco: Sirolimus, utilizando polímero biodegradável.
Design: Estrutura híbrida com células fechadas nas bordas (para estabilidade) e abertas no centro (para flexibilidade e acesso a ramos laterais).
Insights de Prática Clínica
Discussões entre especialistas destacam uma melhora drástica no sistema de entrega da nova versão do BioMime Aura em relação às anteriores:
-
Navegabilidade: O sistema é descrito como tendo excelente "trackability", conseguindo progredir em lesões distais e tortuosas de forma fluida (comparado ao termo "descer como quiabo" pela facilidade de entrega).
-
Estabilidade de Liberação: Diferente de modelos antigos que podiam apresentar o efeito "pop-up" (deslocamento proximal ou distal durante a expansão), a versão atual oferece uma liberação controlada e precisa, garantindo a cobertura exata da lesão.
-
Visibilidade: Apesar das hastes ultra-finas, o dispositivo mantém uma visibilidade radiológica satisfatória, facilitando o posicionamento e a dilatação posterior.
3. Evidências Clínicas e Ensaios MERIT
A eficácia e segurança da linha BioMime foram validadas por meio de múltiplos ensaios clínicos.
MERIT I, II e III: Mostraram baixas taxas de Eventos Cardíacos Adversos Maiores (MACE), variando de 0% (MERIT I - 30 pacientes) a 2,35% (MERIT III - 1.161 pacientes), com taxas de trombose de stent extremamente baixas (0,1% no MERIT III).
MERIT V: Estudo randomizado comparando BioMime com o stent Xience (DP-EES). O desfecho primário de perda tardia de lúmen (late lumen loss) aos 9 meses confirmou a não-inferioridade do BioMime em relação ao padrão ouro de polímero durável.
Análise de Desfechos: Dados agrupados de stents ultra-finos (como o BioMime) indicam uma tendência de redução na falha da lesão-alvo (TLF) e na revascularização da lesão-alvo (TLR) em comparação com stents de hastes mais grossas de gerações anteriores.
4. Manejo da Síndrome Coronariana Aguda sem Supra (SCASSST)
O manejo moderno da SCASSST baseia-se na identificação rápida e estratificação rigorosa para definir a estratégia de tratamento.
Pilares do Diagnóstico
O diagnóstico é fundamentado na tríade:
1 - Apresentação clínica do paciente.
2 - Achados eletrocardiográficos.
3 - Biomarcadores (Troponina de alta sensibilidade, que aumentou significativamente a sensibilidade diagnóstica).
Estratificação de Risco e Tempo de Intervenção
A escolha entre estratégia invasiva ou conservadora depende do perfil de risco, geralmente calculado pelos escores Grace ou TIMI:
Alto Risco (Grace >140 ou troponina positiva): Benefício claro de estratégia invasiva precoce, idealmente dentro das primeiras 24 horas. Estudos como o Timex e o Verdict confirmam que pacientes de alto risco têm redução de morte e infarto com a intervenção rápida.
Risco Intermediário (Grace 109-140): A estratificação invasiva pode ser realizada em até 72 horas.
Baixo Risco: Pode-se optar por uma estratégia invasiva seletiva baseada em testes não invasivos.
Populações Especiais e Acesso Vascular
Idosos e Frágeis: O estudo Senior-Rita (pacientes com média de 82 anos) não mostrou superioridade da estratégia invasiva sobre a conservadora em desfechos globais a curto prazo. A recomendação é individualizar a decisão com base na fragilidade e comorbidades.
Acesso Vascular: O acesso radial é preconizado como padrão, pois o sangramento relacionado ao local de acesso é responsável por até 70% dos eventos hemorrágicos em intervenções coronárias.
5. Conclusões sobre Novas Tecnologias
Além dos stents com polímero biodegradável, o cenário tecnológico aponta para os stents sem polímero (Polymer-free), onde o medicamento é liberado diretamente de uma superfície metálica microestruturada. Essa inovação visa permitir terapias antiplaquetárias duplas (DAPT) mais curtas, reduzindo o risco de sangramento sem comprometer a eficácia antiproliferativa. A integração de imagem intravascular (IVUS/OCT) e fisiologia coronariana continua sendo o "estado da arte" para otimizar os resultados no laboratório de hemodinâmica.
Vídeo de análise do módulo com IA
Resumos em Áudio









